quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O UNIVERSO DE CLARICE LISPECTOR

Clarice Lispector sendo um ícone de nossa literatura, resolvi fazer um gancho , mostrando algumas facetas da obra e da pessoa da artista.
A obra de Clarice Lispector tem sido analisada de diversas maneiras e por diversos ramos da Ciência Humana, desde a Literatura até a Psicologia , passando pela Filosofia.
Cabe aqui perguntar, o que é um artista; o artista nasce ou uma pessoa torna-se artista ?Em qualquer das hipóteses a sensibilidade ,a percepção de um universo segundo seus próprios parâmetros e pontos de vista parecem ser a chave mestra que desencadeia o processo criativo.Oscar Wilde , em uma de suas declarações  disse que  o público não interessava para o artista.E esse parece ser o Universo de Clarice Lispector.
Clarice era depressiva ,levada em suas reações por um profundo sentimento de culpa.Disse ela numa entrevista que “ escrevia quando não  estava morta”.
Ao se ler Clarice a gente é levado por uma sensação que nos absorve por completo e viajamos com suas palavras e  num instante seguinte somos freados bruscamente por expressões incontroláveis de uma psique perturbada.
Mas do que Clarice Lispector achava-se culpada ?
Segundo ela , por ter nascido ....
Ou por ter nascido sem ser aquele remédio  milagroso que pudesse salvar a sua mãe .
Vejamos :

“ O pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa. Como descrevê-la? Aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? (...) A culpa em mim é algo tão vasto e tão enraizado que o melhor ainda é aprender a viver com ela” 
E outra vez:
“(...) fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo.”
Quanto à importância que dava à critica , era nenhuma , pois jamais considerou-se uma escritora profissional :
Façam eles o que querem de minhas palavras, pouco me importa se as enfiam em suas mochilas ou bolsos rasgados, se as mastigam ou engolem “
Clarice viveu o inferno astral que perturba o artista.Culpa e compaixão são constantes em sua obra.O que pode parecer mestria de literato no domínio e controle das palavras não existiu
em seus escritos.Num sentido geral tudo terminava numa explosão , desde a raiva até o conformismo.
Muitas frases de amor de sua autoria são publicadas na internet como se fossem modelos de comportamento e sentimentos a serem assumidos por quem busca respostas .Mas toda a obra de Clarice Lispector é de natureza existencialista e o perigo de entendimento esta no separar trechos isolados ou parágrafos que acabam por cortar o verdadeiro significado e a idéia geradora da obra.
Norteada por seus próprios e íntimos conflitos ela foi capaz de traduzir obras grandiosas presenteando-nos com a mesma grandiosidade com que foram criadas reconstruindo as atmosferas originais em nosso idioma.Exemplo disso é “O Retrato de Dorian Gray”.
Muitos artistas retrataram a angústia humana , quer seja na lieratura , na pintura , na fotografia ou em qualquer outro ramo das artes.Clarice esta entre eles.Sua obra não foi feita para se ler em fragmentos ou nas horas vagas .Ela tem que ser lida, sentida e entendida .
Aqui coloco a primeira parte de uma entrevista que ela concedeu à TV Cultura.As outras estão na seqüência no You Tube.




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