domingo, 5 de outubro de 2014

ESPELHO , ESPELHO MEU !

 

Espelho, espelho meu ,existe alguém mais bela(o) de que eu ?
Espelho, espelho meu. existe alguém mais capaz do que eu ?
......mais culto(a)?
......mais inteligente?
......mais carismático(a)?
-Espelhos de todo o mundo uni-vos !!
Que tarefa mais ingrata !Todos os dias a mesma coisa.Todos os dias as mesmas perguntas.
Esse é o bom dia que milhares( talvez milhões) de Narcisos dão aos seus espelhos diariamente.
Se falamos na Vaidade, enquanto auto estima, ela faz bem.Faz bem porque é comedida e honra nossa condição humana.Mas, a Vaidade que ensoberbece não é simplesmente um defeito, é um vício, que como todos os outros vícios,tende a agigantar-se dominando nossa vontade e tornando-nos escravos de nossa própria imagem , pior,da imagem que construímos de nós mesmos,utilizando a argamassa da prepotência .Esse tipo de vaidade e o orgulho descomedido costumam andar juntos.Pelo orgulho descomedido passamos a acreditar na nossa superioridade e a vaidade encarrega-se de despertar nos outros o elemento de persuasão.
A idéia não é minha.Schopenhauer(As dores do Mundo) já a professava no século XIX.
Intrigante é o fato de que os narcisistas atuam de maneira contrária ao mito policiando-se constantemente nos espelhos de suas almas para manterem viva a aparência de superioridade.
Reza a lenda que Narciso era filho de deuses , a saber de Céviso e Liríope.
Tirésias , o adivinho,vaticinou que  Narciso teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura.Numa das muitas versões da história Narciso consumiu-se, de desgosto, transformando-se numa flor(a que leva seu nome) por contemplar sua imagem refletida nas águas de um lago, tentando enxergar nela a imagem de sua amada irmã.
Já na Grécia antiga a Vaidade era tida como um pecado que causava tragédias.Assim como outros fatos lembrados .a Vaidade atravessou eras e chegou aos nossos dias.
 Utilizada de diversas maneiras ou absorvida em diferentes graus pela personalidade humana ela fêz surgir o culto à imagem.A imagem estética ou a imagem do sucesso, da superioridade, da capacidade e, conseqüentemente, da arrogância .
Lembrando,novamente, Schopenhauer , num abuso de generalização, ele dizia que “Nas pessoas de capacidade limitada, a modéstia não passa de mera honestidade, mas em quem possui grande talento, é hipocrisia.”
Mesmo nas pessoas de grande talento e grande simplicidade há um momento em que haverá um pequeno escorregão , e talvez na falta de encontrar uma ferramenta ou expressão adequada ao seu alcance à superioridade vem à tona e, talvez por isso ela seja julgada.
Já, na antiguidade o sábio pregador proclamava :”Vaidade de vaidades!Vaidade de vaidades ! Tudo é vaidade !E hoje a mídia proclama “ Ama-te a ti mesmo !”São comerciais,são produtos, são cosméticos,são Reality Shows,são cursos que prometem tornar as pessoas “ diferenciadas”.E o reflexo de tudo isso sentimos no convívio , nas novas formas de comunicação das pessoas.
Infelizmente a vaidade e orgulho descomedidos dão origem à ganância.O espelho acaba por deformar a imagem de quem olha e surge o espírito de domínio,o desejo incontrolável de poder, de reconhecimento.A imagem de quem assim se vê ofusca a imagem de seus semelhantes e o narcisista passa a não percebe-los.A política é um grato exemplo dessa idéia .
O Homem é o único animal que tem consciência de si mesmo.
Bom seria que essa consciência abrangesse a coletividade podendo assim gerar troca de experiências e repartindo o que temos e o que somos para substituir o domínio pelo equiíbrio.
De maneira recorrente eu abordo Oscar Wilde e seu “ Retrato de Dorian Gray”,uma obra fabulosa,talvez, porque fantástica no seu mais amplo sentido.Na obra, fazendo atenção ao tempo e não ao quadro podemos perceber que o verdadeiro Narciso é o próprio tempo , pois permanece indiferente à todas as nossas mudanças.
Assim, seria prudente antes de nos cultuarmos olhar esse algoz que não se importando com nossa vaidade estética ou superioridade intelectual pode nos ceifar um e outro transformando-nos em vida apenas num reflexo embaçado da imagem que um dia projetamos no nosso espelho.Não haverá Ego ou alter ego que o faça brilhar novamente.Talvez enxerguemos nele somente um borrão ,ou ainda viva , nossa presunção nos faça enxergar uma flor.Mas seremos apenas isso,a representação da beleza que insistimos em enxergar,mas o espelho , ainda que perguntado já não oferecerá resposta alguma,pois como já dizia o sábio Cartola, as rosas não falam(nem narcisos,nem flor alguma !)





sábado, 4 de outubro de 2014

OS SATÂNICOS DRs. NOs.- TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE NO PODER


...Então, aquela loucura mansa(prenúncio de senilidade?) acometeu-me novamente e me questionei:Não seriam as novas formas de governos , sejam elas democráticas, presidencialistas ou parlamentaristas ,socialistas,ditatoriais ou comunistas uma continuidade da monarquia , ou uma monarquia travestida de vontades populares ?
O que leva um homem ao desejo de governar ?Até onde vai a necessidade de um povo ser governado ?( não sou anarquista !)
Revendo a história entendemos que os reis, na antiguidade. eram representantes do poder divino ou, uma extensão dele.Governavam durante  as suas vidas, e morrendo, a sucessão estava garantida a um consangüíneo.Isso é comum nas monarquias que ainda sobrevivem.
É curioso notar a reação dos povos que viveram ou ainda vivem essa realidade.A admiração e o respeito , o ódio ou a humilhação,o orgulho ou o desprezo, não importa o sentimento despertado por homens que exerceram o poder de forma cruel ou benevolente,tirânica ou condescendente,preocupada ou alienada.Perpetuaram-se no poder ou pela aprovação ou pelo temor,pelo reconhecimento de seus atos ou pelo simples sentido de obediência cega, sem questionamentos 

Chego a uma primeira conclusão de que todas as formas de governos são monarquias sem coroas .Se olharmos a lista de ditadores no mundo perceberemos que ela é infindável.Socialistas e comunistas manipulam eleições e prorrogam indefinidamente seus mandatos .Governos democráticos elegem-se para um exercício de 4 ou 5 anos , mas utilizam-se da mídia e de outros recursos para mais um ou dois mandatos seguidos.Ao saírem do poder ( por um intervalo de tempo) indicam ou “ constroem “ seus sucessores que seguirão as diretrizes deixadas por uma espécie de poder paralelo que governa nas sombras. 
De qualquer forma os homens que ambicionam o poder ambicionam perpetuar-se nele .Não há uma razão lógica que explique isso .Tenho minhas dúvidas que a natureza humana seja um argumento válido para explicar esse sentimento de plenipotência.Acredito mais num argumento que pesquise na natureza humana a suscetibilidade a desvios de personalidade que levem uma pessoa ao desejo de se perpetuar no poder de uma nação.
Vejo um traço comum em todas essas “ figurinhas carimbadas” de nosso tempo : O Histrionismo.Um outro traço comum a todas elas é o culto à personalidade.

Um personagem histriônico bem próximo a nós foi Hugo Chavez.Uma pessoa histriônica é aquela que necessita estar em evidência chamando a atenção de todos.Não há regras que limitem o uso das ferramentas disponíveis para consiga estar em evidência.São pessoas que se vestem de maneira não convencional , são pessoas dramáticas ao extremo ou sedutoras ao extremo.São egocêntricas e auto piedosas achando no resto do mundo a culpa pelos seus próprios erros , não raro atribuindo-os aos outros. 
Um outro exemplo é bem representado por Vladimir Putin.Ele é a personificação de todos os heróis que as pessoas gostariam de ser ou ver . Talvez ele viva a fantasia de todos os seus heróis de infância.Não faltaram oportunidades para que ele se mostrasse em público caracterizado de judoca ou karateca.Por vezes apareceu em trajes usados por pilotos de caça .Outras vezes como cavaleiro( e não faltou o cavalo!).Lembrem-se que Collor utilizou-se do mesmo recurso , mas cometeu um erro fatal ao deixar que seu egocentrismo acobertasse a cúpula do poder.
A lista dessas pessoas coincide com a lista daqueles que promovem  o desequilíbrio , o temor e as ameaças ao mundo.
Fazem todos o papel do Satânico Dr.No ao tomarem o mundo como refém de seus desequilíbrios. 
Um trágico resultado é que o povo, ou a maior parte dele, convencido de que esta diante de salvadores da humanidade através do extermínio daqueles que são considerados inimigos , concordando ou não com os métodos utilizados, acaba por desenvolver em massa uma espécie de “Síndrome de Estocolmo”, amando com fervor religioso aquele que o massacra.


O exemplo mais emblemático que me lembro no momento é, justamente, a Coréia do Norte.Se, por exemplo, as figuras de Kim Jon Il ou Kim Jon Un estiverem estampadas em qualquer notícia de um jornal, esse jornal não é dobrado para não se amassar a figura dos ditadores.Assim, se você estiver na rua com um desses jornais , leve-o aberto porque não só os policiais mais os olhos do povo o denunciarão e seu fim será numa prisão coreana.
Uma arma poderosa que expande a aura de alcance dessas pessoas é o chamado “ Culto à Personalidade”.
Transformam-se virtudes que não existem ,humildades  jamais desejadas , mentiras repetidas até que absorvidas como verdades irrefutáveis( e isso fazia parte do credo nazista propagado por Joseph Goebbels- ministro de propaganda do Reich) com a ajuda da mídia construindo ou melhor, mascarando essas pessoas com uma carapuça de carisma .

Só para citar alguns , vamos começar aqui , pelas redondezas ?
Collor , Lula( o filho do Brasil) , Hitler. Mussolini,Stalin,Putin,Fidel,
Saddan,Ahmadinedjah.Komeini,Kin Jon Il e Kim Jon Un e o príncipe do terrorismo Osama Bin Laden.
Vejamos o caso de Osama Bin Laden.Ele não era presidente de nada, mas com seu histrionismo conseguiu transformar o mundo muçulmano numa fábrica de terror e o Islã uma “ nação” mundialmente odiada.
Em todos os vídeos divulgados  onde ele aparecia, o exibicionismo era patente , quando ostentava armas , não para sua proteção(porque estava em locais desconhecidos  e cercado de seguranças),mas para reforçar a imagem de poder e agressividade.Seus discursos e ameaças eram dramáticas , esperando  a imediata concordância de todos os  seus correligionários.Auxiliado pelos aiatolás e juízes muçulmanos conseguiu deformar e manchar de sangue o Alcorão iludindo a cabeça de milhares de fiéis que passaram a oferecer suas vidas em troca de uma mentira.
O resultado é que o poder constituído nos países muçulmanos comprou essa idéia e plantou a semente de um mal irreversível.
Uma gravura ou uma piada acerca do Profeta num jornal foi capaz de desencadear uma onda de matanças sem precedentes.Inocentes que talvez jamais tenham ouvido falar de Maomé morreram por um simples ato de vingança.Recentemente embaixadas continuam a ser explodidas e homens bomba espalham terror e víceras em praças públicas aumentando gradativamente os tentáculos do terror , um credo sem causa .
Ao ver esse vídeo ontem , tudo isso me veio à mente e fiquei imaginando se Os Estados Unidos respondessem à Coréia com a mesma magnitude com que os muçulmanos respondem ao que consideram desrespeito por parte dos Ocidentais.
Ditadores quando chegam a esse estágio de sandice não medem conseqüências para que façam valer a grandiosidade de suas ameaças.Ao ver Berlin tomada Hitler ordenou fizessem inundar as linhas do metro .Não se importou com o povo , pois” um povo derrotado e covarde não merecia viver”!
Milhares de pessoas morreram afogadas quando só queriam fugir dos bombardeios.





Leio num artigo de Pedro Couto :
“Se assassinar civis garantisse alguém no poder as ditaduras mais cruéis não teriam desabado nos capítulos do tempo. Os fatos provam o contrário. A força do direito, mesmo através das armas, termina sempre vencendo o direito da força.  Não há poderoso que resista a expor seu povo ao massacre.”
Essa opinião encerra uma meia verdade porque o autor esqueceu-se do fator” sucessão”.Ainda que as forças do direito vençam , elas também matam para fazer prevalecer esse direito, que depois de restabelecido continua a matar como temos visto no Iraque, pós Saddan e no Egito onde o povo desnorteado após a derrubada de um ditador rebela-se contra um estado de direito que ele mesmo empossou e com certeza o resultado será o aparecimento de uma outra personalidade histriônica agigantada pelo culto à personalidade que será criado por uma das duas facções religiosas que brigam pelo poder.
Assim vemos o histriônico Ahmadinedjah clamar ao mundo pela destruição de Israel e o histrionismo profético israelense( que insiste em não enxergar os palestinos) ORDENA A Obama que bombardeie o Irã.O histriônico Putin não permite intervenções que acabem com a matança promovida pelo não menos histriônico Bashar Al Assad na Síria.
O Fantasma histriônico de Hugo Chavez continua a assombrar,digo governar a República “ Bolivariana” da Venezuela.
A não menos histriônica Cristina Kirschner continua na Casa Rosada provendo à  Argentina dias cinzentos ...
E todos esses perpetuam-se no poder.
Enfim , já cansado , não consigo formular uma proposta de solução , senão a de substituir um dos três poderes , comuns a todas as formas de governo por uma espécie de poder moderador , nos moldes da Monarquia , com a seguinte diferença:O Poder Executivo seria substituído pelo Poder Psiquiátrico com direito a veto e intervenção e internação.
Deveríamos ter , ainda, em tempos de globalização de uma Bastilha,Torre de Londres,Alcatraz ou Ilha de Santa Helena para abrigar essas poderosas personalidades histriônicas quando seus excessos ultrapassarem o humanamente aceitável !

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

ESTEIRA DE TURBULÊNCIA - O PERIGO INVISÍVEL

Outro dia eu assistia a um  programa sobre desastres aéreos e chamou-me a atenção a complexidade de inúmeros fatores que tornam a segurança de um vôo dependente não somente dos pilotos mas, de toda uma equipe tanto em ar como em terra.Aeronaves cada vez maiores, de maior envergadura e  equipadas com turbinas cada vez mais potentes por um lado resolvem,em parte, o problema do aumento do tráfego aéreo e por outro produzem fenômenos que até há algumas décadas atrás não preocupavam os engenheiros , os controladores de vôo nem os pilotos.

Aeronaves,principalmente as de grande porte,ao decolarem produzem vórtices nas pontas das asas que se projetam para trás , em direção a outras aeronaves que aguardam para decolar.Esse fenômeno de surgimento de vórtices que se projetam para trás chama-se “ esteira de turbulência” , e a grosso modo  assemelha-se à esteira produzida por um navio em seu deslocamento.A grande diferença é que a esteira de turbulência é invisível e seus efeitos são devastadores para uma aeronave que venha atrás e que não tenha observado o tempo necessário para a dissipação dessa perturbação atmosférica.
Os efeitos sofridos por um avião que entra numa esteira de turbulência são:  o balanço violento, a perda de altura ou de velocidade ascensional e os esforços de estrutura. O maior risco é justamente o balanço muito forte da aeronave que entra na esteira até um ponto que exceda sua capacidade de resistir a tal efeito. O fenômeno é observado também nos pousos e as aeronaves que vem atrás têm que observar certos procedimentos para evitar riscos.
A intensidade dos vórtices pode ser calculada  pelo peso, velocidade e forma da asa que os originam, entretanto o peso da aeronave é o fator principal de sua força, que pode registrar vórtices que  tem alcançado velocidades tangenciais acima de 300 km/h por uma área de 2 a 4 vezes a envergadura da aeronave geradora dos vórtices. 

Em vista disso a Federal Aviation Administration – FAA-propos aos pilotos uma série de recomendações, tais como :

Diante de mau tempo . em aeroportos de grande movimento, evitar aproximações a jatos de grande porte ;
Nas decolagens sair da pista antes do ponto de rotação da aeronave anterior;
Nos procedimentos de pouso tocar a pista após o ponto de toque da aeronave anterior.
Em relação aos controladores de vôo foi publicado uma manual de regras do ar e tráfego aéreo especificando os mínimos de separação tanto por radar como visual.
Em solo, levando-se em consideração pistas paralelas a separação varia de 2 a 4 minutos.
Em vôo a separação é da ordem de 1000pés( 304metros) na vertical.
P’ra variar,no Brasil não existem estatísticas detalhadas sobre a esteira de turbulência, todavia, estudo conjunto da NASA  e a FAA encontraram alguns números interessantes envolvendo a turbulência causada pelas aeronaves– 22% foram causados por Boeing 757, 12 % por Boeing 727 e 12% por 767 e alguns casos por Boeing 747 e DC-10.. Além disso, em 63% dos casos não houve advertência dos órgãos  acerca da ocorrência da esteira.

“A esteira de turbulência foi reconhecida pela primeira vez como algo potencialmente perigoso nos idos de 1960. Uma vez detectado o fenômeno, foram criadas técnicas para evitá-lo quando gerado por grandes jatos. Usando como critério o peso máximo de decolagem, os aviões acima de 300.000 libras (136.000 kg), foram classificados como “heavy” (pesado), tendo sido adotado nos Estados Unidos a obrigatoriedade de transmissão da palavra “heavy” após o indicativo de chamada das aeronaves desta classe em todas as comunicações.
            Dessa maneira, cientes de que a aeronave da frente é pesada, os órgãos de controle aumentam as separações standard da aeronave que a segue se esta for de menor classe, para preveni-la dos efeitos da esteira de turbulência. Durante todos esses anos, a regra adotada foi satisfatória. Agora 30 anos depois, a esteira de turbulência volta a ser notícia em função da que está sendo gerada pelo Boeing 757.
            Desde dezembro de 1992  aconteceram alguns acidentes e incidentes em condições de voo visual, envolvendo o Boeing 757 e aviões menores com algumas mortes. Dois desses aviões eram jatos executivos: um Citation  e um Westwind com um total de 13 mortos nos dois acidentes. Um outro Cessna 182 em que não houve vítimas, mas a aeronave foi destruída. E os outros eram um MD-88 e um Boeing 737; ambos pousaram em segurança, mas exigiram de seus pilotos imediatas e agressivas ações corretivas para readquirirem o controle após serem envolvidos na esteira de turbulência.”
Veja o que acontece em experimento conduzido pela NASA no centro de pesquisas de Langley.
Note  o que acontece quando surgem os vórtices produzidos pela asa do C-5 Galaxy ao atravessar os gases coloridos













quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O UNIVERSO DE CLARICE LISPECTOR

Clarice Lispector sendo um ícone de nossa literatura, resolvi fazer um gancho , mostrando algumas facetas da obra e da pessoa da artista.
A obra de Clarice Lispector tem sido analisada de diversas maneiras e por diversos ramos da Ciência Humana, desde a Literatura até a Psicologia , passando pela Filosofia.
Cabe aqui perguntar, o que é um artista; o artista nasce ou uma pessoa torna-se artista ?Em qualquer das hipóteses a sensibilidade ,a percepção de um universo segundo seus próprios parâmetros e pontos de vista parecem ser a chave mestra que desencadeia o processo criativo.Oscar Wilde , em uma de suas declarações  disse que  o público não interessava para o artista.E esse parece ser o Universo de Clarice Lispector.
Clarice era depressiva ,levada em suas reações por um profundo sentimento de culpa.Disse ela numa entrevista que “ escrevia quando não  estava morta”.
Ao se ler Clarice a gente é levado por uma sensação que nos absorve por completo e viajamos com suas palavras e  num instante seguinte somos freados bruscamente por expressões incontroláveis de uma psique perturbada.
Mas do que Clarice Lispector achava-se culpada ?
Segundo ela , por ter nascido ....
Ou por ter nascido sem ser aquele remédio  milagroso que pudesse salvar a sua mãe .
Vejamos :

“ O pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa. Como descrevê-la? Aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? (...) A culpa em mim é algo tão vasto e tão enraizado que o melhor ainda é aprender a viver com ela” 
E outra vez:
“(...) fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo.”
Quanto à importância que dava à critica , era nenhuma , pois jamais considerou-se uma escritora profissional :
Façam eles o que querem de minhas palavras, pouco me importa se as enfiam em suas mochilas ou bolsos rasgados, se as mastigam ou engolem “
Clarice viveu o inferno astral que perturba o artista.Culpa e compaixão são constantes em sua obra.O que pode parecer mestria de literato no domínio e controle das palavras não existiu
em seus escritos.Num sentido geral tudo terminava numa explosão , desde a raiva até o conformismo.
Muitas frases de amor de sua autoria são publicadas na internet como se fossem modelos de comportamento e sentimentos a serem assumidos por quem busca respostas .Mas toda a obra de Clarice Lispector é de natureza existencialista e o perigo de entendimento esta no separar trechos isolados ou parágrafos que acabam por cortar o verdadeiro significado e a idéia geradora da obra.
Norteada por seus próprios e íntimos conflitos ela foi capaz de traduzir obras grandiosas presenteando-nos com a mesma grandiosidade com que foram criadas reconstruindo as atmosferas originais em nosso idioma.Exemplo disso é “O Retrato de Dorian Gray”.
Muitos artistas retrataram a angústia humana , quer seja na lieratura , na pintura , na fotografia ou em qualquer outro ramo das artes.Clarice esta entre eles.Sua obra não foi feita para se ler em fragmentos ou nas horas vagas .Ela tem que ser lida, sentida e entendida .
Aqui coloco a primeira parte de uma entrevista que ela concedeu à TV Cultura.As outras estão na seqüência no You Tube.




UM PIANO PARA CADA OUVIDO

Desde a invenção desse instrumento os mais renomados fabricantes tem lutado para ocupar permanentemente o podium.
Críticos esmeram-se na análise de detalhes para eleger os melhores, ou o melhor , caso das marcas citadas no post anterior.
Cheguei à conclusão de que instrumentos construídos com materiais de boa qualidade e com esmerados mecanismos não podem ser classificados como “ melhores ou piores”.Em outras palavras , um instrumento que dura , pelo menos 50 anos é uma questão de gosto pessoal !
Há pouco tempo atrás experimentei um Steinway Hamburg(que estava à venda, não que eu fosse comprar,rsrsr) e , a não ser o fato de ter um excelente som e uma boa afinação  não me disse nada .Piano pesado , teclas duras , pedais baixos...mas o atendente me disse que “ o técnico poderia ajustar o instrumento conforme meu gosto”.Naturalmente , isso pode ser feito em qualquer piano , desde a afinação até detalhes como velocidade de repetição e demais “ temperos” que fogem à noção usual de afinação .
Escolhi falar, inicialmente, sobre esses dois pianos, não porque tenha algum tipo de conhecimento extraordinário, mas porque  fizeram parte de minha experiência pessoal .
Aprendi as primeiras notas , os primeiros acordes, as primeiras harmonias num Bechstein .Um herói , com teclas de marfim amarelecidas pelo uso e pelo tempo, sempre pronto a receber mãos inábeis – e  que me traz amargas recordações .
Ele foi responsável pelo meu gosto pela música e pela minha desistência em aprende-la .Eu explico :
Nasci estranho , com o que chamam de ouvido absoluto( vim a saber muito tempo depois ).Sem entender porque , a música tinha um significado muito especial para mim e, freqüentemente, eu achava que as músicas que me eram dadas a estudar ficavam melhor, soavam melhor com certas modificações.Esse era o meu calvário !
Na hora de apresentar a música à minha professora eu a tocava como entendia que devia ser,  e ela , nos seus freqüentes acessos de fúria pegava-me pelo pescoço e lançava minha cabeça contra a tampa do piano .Criança que era, aturei aquilo até ir para um seminário salesiano , onde o professor de música , padre João , carinhosamente conhecido como “João Dedão”(porque seus dedos eram tão grossos que sempre tocava duas teclas ao mesmo tempo e cuja paciência e método não diferiam muito de sua predecessora.
Bem , o assunto era o piano não minhas desventuras ! Os pianos C.Bechstein eram considerados os melhores do mundo até antes da segunda guerra mundial quando teve sua fábrica destruída por bombardeios.Mas, os herdeiros conseguiram reconstruí-la e agora, tinham um concorrente de peso , o Steinway .Muito antes de tudo isso grandes compositores e virtuoses o tiveram como marca preferida. Liszt e Debussy são dois que devem ser mencionados .Debussy chegou a dizer que todas as músicas deviam ser compostas para serem executadas num Bechstein.Mas , se quisermos falar em “ pureza de qualidade” não podemos comparar produtos que foram produzidos após a segunda guerra mundial.Após esse período e contornando várias dificuldades financeiras com ajuda governamental a Bechstein acabou por fazer parceria com outros produtores , absorveu outras marcas e acabou nas mãos da Baldwin americana.Já em tempos atuais foi recomprada pelo capital alemão e seguiu , assim como todas as indústrias que sobreviveram às diversas crises, o destino da globalização .Assim , se você pensa em  tocar um Bechstein hoje ,você poderá estar tocando um Zimmerman ou um Samick coreano .Avaliações são penosas para os puristas porque muitos fatores tem que ser levados em conta, como data de fabricação , série e número bem como o local.Um outro fator que fêz com que a C,Bechstein perdesse muito da simpatia dispensada pelos seus admiradores foi o fato que os herdeiros de Carl Bechstein nutriam grande atração por Hitler e as idéias nazistas.Bem , vou parar por aqui porque a história da Bechstein esta toda na internet, Ao invés disso, convido o leitor a escutar o som de um Bechstein pelas mãos de Robert Estrin, com quem conversei algumas vêzes.


Da mesma forma que os Bechstein os  Pleyel foram exportados para o mundo todo.Embora considerada uma marca de excelência nunca chegou a ameaçar as outras grandes que sempre estiveram em evidência.Curiosamente , muito das idéias e tecnologia de construção do piano foram aprendidas por muitos artesãos na França e na Inglaterra e levadas para outros países com esforços de aperfeiçoamento .Esse foi o caso de Carl Bechstein .
Ignace Pleyel era músico e compositor tendo sido aluno de Haydn.
Em 1807 Pleyel associa-se com Karl Lemme , um fabricante de instrumentos que havia vindo da Alemanha e pouco depois nascia o primeiro Pleyel.Ignace abandona suas outras atividades e junto de seu filho Camile e de sua nora Marie Denise Pleyel dedica-se exclusivamente à fábrica.
No século XIX as salas de audiência eram moda e, seguindo essa tendência , em 1832 é inaugurada a SALLE PLEYEL com o primeiro concerto dado por ninguém menos do que Frederic Chopin.Bem , vou deixar a história para quem se interesse porque, também está disponível na internet.
Infelizmente, a Pleyel não teve a mesma sorte que a Bechstein.As diversas crises e a falta de apoio governamental fizeram com que a fábrica encerrasse definitivamente as atividades em 2013.
Aqui , novamente, abordo a “ pureza de qualidade” .Creio que podemos falar de um Pleyel , como tal até 1960.A partir daí , vendida em leilão promovido pelo Banco Credit Lyonnais, a Pleyel perdeu muito de sua identidade e qualidade. Associações com a Erard-Gaveau,a aquisição completa pela Schimmel na década de 1970. a nova recompra da fábrica pelos atuais proprietários da Salle Pleyel despersonalizaram uma obra de arte com 200 anos de história .
Eu já comentei duas ou três vêzes por aqui o meu fascínio(que permanece) ao ter o privilégio de experimentar um Pleyel Grand Concerto na loja de um amigo meu .Cheguei a comentar com diversas pessoas(porque meu entusiasmo era grande) e cheguei , mesmo , a questionar Valentina Lisitsa(via Facebook) o porque de não se ver um Pleyel nos concertos de diversos artistas .Ela que possui e só toca( na maioria das vêzes) em Bösendorfers – e que disse possuir um Yamaha no seu apartamento em Paris onde coloca as compras do supermercado quando chega em casa(!)( os japoneses não devem ter gostado da referência visto que são acionistas da Bösendorfer, rsrsrsrs) respondeu-me que jamais tinha visto algum Pleyel , a não ser encostados em algum canto nos porões das salas de audiência .
Estou contando isso porque ao receber aviso de sua apresentação na Salle Pleyel, tive confirmado meu fascínio , uma vez que Valentina , ao experimentar diversos pianos para sua apresentação foi tomada , também , por essa admiração .
Traduzindo suas impressões :
“ Ontem eu fui até a Pianos Reggie para escolher o piano do meu próximo recital na Salle Gaveau , em Paris .A Reggie Pianos tem uma incrível coleção de “ Grand Concertos”( mas nenhum Imperial(Bösendorfer).
Experimentei algo como 5 Steinways , um melhor que o outro , até que .....eu vi esse , recatadamente separado dos outros .Eu perguntei o porque disso e eles me disseram que era o único piano do qual eles tinham orgulho e que nenhum concertista atrevia-se a aluga-lo . Eu tentei ....e meu coração se derreteu.O som gravado que vocês escutam não faz jus ao seu som.Venham ao concerto e escutem ! ......”
Aqui está :



Essas são algumas impressões de um leigo , sem ter medo de ser feliz !


terça-feira, 30 de setembro de 2014

SUA MAJESTADE, O PIANO !

Há quem torça o nariz , mas convenhamos ,ele é o rei dos instrumentos... o piano .
Sua invenção é atribuída a Bartolomeo Cristofori por volta de 1711 , no século XVIII .E porque o “ rei dos instrumentos” ?
Porque num só argumento podemos dizer que é o único instrumento que reúne as claves de sol e fá em sua performance, permitindo a execução de uma música na totalidade de sua criação, isto é solo e harmonia .Inicialmente recebeu o nome de pianoforte , porque permitia uma variedade de intensidades de som produzindo matrizes sonoras diferentes.A partir de sua invenção e durante o século XIX o piano sofreu inúmeros aperfeiçoamentos que lhe conferiram precisão , velocidade de repetição de notas e pureza de som.São 88 teclas que martelam 230 cordas em 7 oitavas(normalmente).
Muitos foram os aperfeiçoamentos introduzidos, desde o mecanismo de escape que permite aos martelos afastarem-se das cordas após o acionamento, até o comprimento das cordas que podiam ser afixadas no chassi , que também sofreu variação de materiais .Esses aperfeiçoamentos resolveram de vez um problema dos primeiros pianos : a potência de som.
O piano só tornou-se mais popular a partir do século XIX nas mãos de grandes compositores que acabaram por definir , também, padrões de construção desse instrumento em diversos países europeus .Um instrumento pesadíssimo , grande e muito caro não teria se popularizado não fosse o francês Ignace Pleyel que, mudando a configuração do instrumento e a disposição de cordas introduziu no mercado o piano vertical, conhecido como piano de armário.

A história é longa e, assim como surgiram no mundo centenas de marcas de automóveis , também surgiram várias marcas de pianos.E, por analogia , assim como os melhores e mais perfeitos carros foram representados pela Rolls Royce na Inglaterra e pela Cadillac , nos Estados Unidos ,os pianos mantém essa tradição de perfeição disputada pelos fabricantes Steinway, americano e Bösendorfer , austríaco .
Ambos obras de arte .Ambos obras de perfeição técnica.Ambos obras de puro artesanato .
A Steinway & Sons foi fundada em 1853 por um alemão imigrante,Engelhard Steinway.Ele trouxe conhecimento e tecnologia consigo.Seu primeiro piano americano era o seu qüinquagésimo piano construído .Ele introduziu o chassi de ferro e a disposição de cordas cruzadas no instrumento conseguindo uma sonoridade que lhe dá o destaque da atualidade .
Já, na Áustria a Bösendorfer produz pianos desde 1828 .A tradição foi mantida , embora hoje a fábrica seja uma subsidiária da Yamaha , assim como a Steinway já mudou de dono 4 vêzes .
A Bösendorfer é a única fabricante no mundo a produzir um piano de 97 teclas que alcançam 8 oitavas.
A briga estende-se pela atualidade.Quem é o melhor ?
As opiniões se dividem .Naturalmente, ambos apresentam características de sons diferentes , mas qualificar um ou outro pelo parâmetro da perfeição , creio que é uma questão de coração.




O Steinway tem mais potência de som numa vibração mais fria, mais metálica.O Bösendorfer é mais suave e seus acordes produzem mais “ calor” .Alguns definem a preferência levando em conta o estilo das músicas interpretadas e, talvez aí resida o ponto alto da questão: o espírito da composição e a direção da obra,onde o compositor imaginou interpreta-la.
Ambas as marcas defendem preferências tendo em vista as ferramentas de marketing atuais .Isso é feito por intermédio de uma lista de compositores e performers que só se apresentam por uma marca.
A Steinway , por exemplo tem uma sala de audição em New York, onde confere um certificado a pianistas que se destacam.Entre esses cabe destacar Guilherme Arantes , salvo engano, o único brasileiro a ter essa certificação .

Já, a Bösendorfer , mais” modesta” em seu marketing possui uma lista em ordem alfabética com pianistas e artistas que exigem a marca em suas apresentações.Uma pequena e incompleta lista de aproximadamente 400 nomes .Isso , antes de recorrer aos grandes compositores como Bach, Mozart ,Liszt e Schumann.Entre algumas figurinhas conhecidas estão:Benny Anderson , a cabeça prodigiosa do conjunto ABBA ,Charles Aznavour,Paul Anka,Tony Bennett,Leonard Bernstein, a fantástica
Valentina Lisitsa ,Oscar Peterson e um etc..bem etc...!Isso sem falar nos temperamentais e Frank Sinatra e Anton Rubinstein .
Preferências à parte, as duas marcas continuam um constante processo de evolução e aprimoramento tanto na reprodução dos sons como na parte estética.Grandes designers começam a dar seus nomes em projetos ousados , como a parceria Audi Bösendorfer .
Na prática , a preferência, para a maioria, fica mais no campo da quimera , uma vez que um dessas jóias Top de linha chegam a custar até 300.000 dolares .Naturalmente, existem modelos mais modestos e todos eles têm pianos verticais que custam “ a partir de 28.000 dolares”.Resta a opção, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa de se ter o dinheiro para comprar um carro zero quilometro ou dar a entrada na casa própria ou tornar-se um músico de rua , com um instrumento de qualidade a ser tocado nas esquinas do mundo !
Resta lembrar que o Brasil também produziu um piano de altíssima qualidade , graças a outro alemão radicado no Brasil.Seu nome era Florian Helmut ESSENFELDER.Uma obra de arte brasileira que o famigerado governo Collor encarregou-se de destruir.

Um pequeno parágrafo do jornal “A Gazeta do Povo” diz o seguinte :
Do som mais delicado de Mozart aos acordes dramáticos de Beethoven, tocar em um Es­­senfelder, para muitos pianistas, é uma honra. A centenária fábrica, que funcionou em Curitiba por mais de 100 anos (1890-1996), deixou marcas e saudades em quem passou por ela. O som, a qualidade do produto e a ma­­neira artesanal de fabricação, dizem os pianistas, não ficava atrás de outros pianos estrangeiros, de fábricas que são referências mundiais no instrumento, como as alemãs Bechstein e Grotrian Steinweg.”E diga-se de passagem, Florian Essenfelder era um técnico da Bechstein antes de chegar ao Brasil.
Só para “ ver” a sonoridade destaquei alguns vídeos
No link abaixo Katalin Zsubrits interpreta Liszt , Love Dream num Bösendorfer



Abaixo um Steinway & Sons nas mãos de Peter Vamos



Nosso Guilherme Arantes em NY no Steinway Hall

Para não ser injusto com outras grandes marcas, em próximos posts continuarei abordando o assunto .
No link abaixo, Claire de Lune, ao som de um Essenfelder e um resumo da história